quarta-feira, 27 de maio de 2009

Solidão

"há um halo de fumo
assobiado nos lábios de uma puta
singrando volúpia
por dentro da memória

há um gesto depredador
e outro que é presa
ambos recusam a solidão de uma leitura

há o olhar inocente das crianças
a terna escravatura dos instintos
a indizível gratidão do prazer

há música no espaço vazio
onde gestos vagueiam só

se se dimanasse uma lágrima ao longo do ritual?
e se nos deixássemos morrer só po instantes?
e se o recanto da solidão fosse um sorriso?

é que há paredes rasgadas por retratos
que perfumam as salas onde os gestos
tomam um certo sentido fantástico
sem se dissiparem na dualidade dos olhos"

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